domingo, 6 de setembro de 2009

Berlim (II) - Alt-Berlin e Cölln

Não foi preciso andar muito - apenas bastou sair de Alexanderplatz - para nos encontrarmos em pleno "bairro" (stadtviertel) de Alt-Berlin (Velha Berlim), a zona mais antiga e o centro histórico de Berlim.

Apesar da omnipresente Fernsehturm, outro edifício conseguia captar o nosso olhar: o da Câmara Municipal ou Berliner Rathaus, mais conhecida por Rotes Rathaus (Câmara Municipal Vermelha), devido à sua fachada totalmente em tijolo vermelho. No alto da imponente torre central, esvoaçava a bandeira vermelha e branca com o urso, símbolo da cidade, confirmando que ali era a sede administrativa da cidade.
Em frente à Rathaus, no ponto central de uma ampla praça ajardinada - e, surpresa surpresa... bastante movimentada - pudemos observar a majestosa fonte de Neptuno (Neptunbrunnen), com o deus mitológico no topo, rodeado de quatro figuras femininas representando os rios Reno, Elba, Vístula, e Óder.
Dali, demos um saltinho à Igreja de Santa Maria (Marienkirche), a mais velha de Berlim. Gótica de nascença - com uma fachada a tijolo que inspirou a Rathaus, certamente - mas com uma torre barroca de um bonito tom verde. Grande parte do seu interior estava em obras, mas isso não afectava o fluxo de visitantes e deu perfeitamente para tirar umas fotos.
Do outro lado da Spandauer Straße, e até encontrar o rio Spree, estendia-se o Marx-Engels-Forum, um enorme parque projectado pelas autoridades da ex-RDA como tributo aos criadores do Manifesto Comunista. Ao centro, numa área circular pavimentada, uma escultura de Karl Marx e Friederich Engels, da autoria de Ludwig Engelhardt, rematava o parque.

Alt-Berlin
(Velha Berlim)

Constitui, juntamente com a zona de Cölln, do outro lado do Spree, o coração histórico da capital alemã. Os primeiros registos datam de 1237 - considerado o "ano de nascimento" de Berlim. Desde então, este núcleo urbano desenvolveu-se e cresceu até atingir a actual dimensão. Em 1415, foi escolhida como local de residência dos príncipes-eleitores de Brandenburgo e, em 1710, fundiu-se com Cölln, por ordem de Frederico I, para formar a nova capital prussiana, que tomou o nome da então maior cidade. Impiedosamente bombardeada, sofreu extensas obras de reconstrução urbana que permitiram a abertura de largas praças e espaços verdes. Aqui se encontram alguns dos edifícios mais importantes da história e vida política, administrativa e religiosa de Berlim.

Sede dos governos municipal e estadual, a Berliner Rathaus foi construída em 1869 por Hermann Waesemann, e apresenta um estilo típico da Alta Renascença norte-italiana. O actual edifício substituiu o anterior, mais pequeno, e parte da antiga malha urbana envolvente teve de ser deitada abaixo para dar lugar à nova câmara. Danificado pela Segunda Guerra, foi reconstruído entre 1951 e 1956. Antes da reunificação, serviu como câmara municipal da parte leste de Berlim.

Mencionada em 1292, Marienkirche é - com a Nikolaikirche - a igreja mais velha de Berlim. Construída com tijolos vermelhos, ao estilo gótico vigente no antigo estado de Brandenburgo, a sua torre foi remodelada segundo o estilo barroco, após um incêndio no séc. XVII. No final do séc. XVIII, foi redesenhada segundo o estilo gótico revivalista, que ainda hoje apresenta.

Tribunal Regional


Berliner Rathaus






Neptunbrunnen










Marienkirche












Marx-Engels-Forum




Oops...


Encostámo-nos por um bocado num muro junto à ponte Schlossbrücke, que atravessa o estreitinho rio Spree, em direcção à Spreeinsel. No quarteirão de Cölln, em plena ilha, abria-se a Schloßplatz, um enorme espaço relvado onde, até há um ano, se erguia o Palast der Republik (Palácio da República), antiga sede do parlamento da RDA; antes dele, existiu o Palácio Real (Stadtschloss), residência urbana dos reis da Prússia e dos imperadores da Alemanha.
A sul, aquilo que à primeira nos parecia um palácio em si, era "apenas" o edifício dos estábulos reais, o Neuer Marstall, que agora alberga a Academia de Música Hanns Einsler. Ao lado, o renovado edifício do antigo Conselho de Estado (Staatsratsgebäude) da RDA. Actualmente, alberga uma escola de gestão e tecnologia e outra de administração.

Atravessámos a ponte para a ilha, para investigar um outro edifício de elevada majestosidade arquitectónica que já nos tinha suscitado interesse ao longe, pela sua enorme cúpula. Graças aos mapas pouco esclarecedores do nosso guia, andámos um pouco perdidos quanto ao o-que-era-o-quê, nesta zona da cidade. Assim, já na Museumsinsel (Ilha dos Museus), no cantinho que a Karl-Liebknecht-Straße faz com o rio, constatámos finalmente, que era (e só podia ser, mesmo) a Berliner Dom, a Catedral de Berlim. Faltam-me adjectivos que já não tenha usado para descrever a incrível beleza e sumptuosidade desta igreja... Só visto! Nem mesmo a pedra suja do passar do tempo (e poluição) - que andavam naquela altura a limpar, por acaso - tiram-lhe o "brilho". Entusiasmados com a ideia de visitar o seu interior e ir até à cúpula, demos de caras com uma enorme fila para comprar bilhetes... a 8 Euros. O problema foi que, como tivemos a pontaria de apanhar uma missa a decorrer, mesmo que tivessemos comprado as entradas teríamos de esperar que terminasse. 'Tá bem... xau aí. Não se pode ter tudo.

Cölln, Spreeinsel
(Cölln, Ilha do Spree)

A zona central da ilha de Spree, albergou parte da antiga malha urbana. No séc. XV, o eleitor Frederico II construiu um castelo no centro de Cölln, para onde mudou a sua corte. Em 1538, o castelo foi demolido para dar lugar ao Palácio Real (Stadtschloss), de estilo renascentista. Ao longo dos três séculos seguintes, o Stadtschloss foi sendo expandido e actualizado conforme o estilo em voga. Foi de uma varanda deste palácio que, em 1918, foi proclamada a República de Weimar, durante a qual albergou um museu. Destruído quase totalmente na Segunda Guerra, as autoridades da ex-RDA decidiram pela não-reconstrução, demolindo-o em 1950. Apenas a varanda de 1918 sobreviveu e foi incluída no edifício do Conselho de Estado (Staatsratsgebäude), construído em 1964. Em 1976, foi inaugurado o Palácio da República (Palast der Republik), no local do antigo palácio; entre 2006 e 2008, este foi demolido com o objectivo de libertar o espaço para a reconstrução do Stadtschloss.

A Berliner Dom - que, apesar do nome, nunca foi sede de bispado - teve origem numa capela incluída no castelo de Frederico II. Reconvertida em igreja paroquial, recebeu o estatuto de igreja colegiada. Em 1747, a igreja foi demolida, sendo erguida uma nova igreja barroca a norte do Stadtschloss. Em 1893, esta foi também demolida para ser substituída pelo presente edifício. Inaugurada em 1905, era a maior (114 metros) e mais exuberante de todas as igrejas que a precederam, mas os bombardeamentos aliados não a pouparam, afectando sobretudo a cúpula. Autorizada pelas autoridades comunistas, a sua reconstrução teve início em 1975 e foi concluída em 1993.

Schloßplatz, do outro lado do Spree, com o Staatsratsgebäude ao fundo


Neuer Marstall (grandes estábulos!)


Berliner Dom














Remetidos a admirar o exterior da catedral, decidimos concluir por esse dia, a visita ao centro histórico. Regressámos a Alexanderplatz - com a tal paragem na Fernsehturm onde pensámos nós que talvez ainda conseguíssemos subir à plataforma de observação - e apanhámos o metro até ao local escolhido para fechar de vez o dia: Potsdamer Platz e o Sony Center!



Vista da entrada da Fernsehturm

1 comentário:

Maria Delfina disse...

Bonitas fotos, como habitualmente!
A catedral de Berlim é imponente!

Beijinhos e bom regresso ao trabalho. Que a depressão pós-férias seja mm muito mini.