quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Back from Berlin

Pois é. Cá estou eu de volta à minha querida Invicta, depois de uma belíssima semana passada na capital alemã.

Efectivamente, já estou cá desde segunda-feira, mas cheguei de tal forma cansado – deitei-me às nove dessa noite e só acordei às dez da manhã de ontem – que nem sequer tive disposição de vir aqui picar o ponto e actualizar-me sobre as notícias ocorridas nos seis dias anteriores. Sim, porque enquanto estive por lá não sabia nem tinha tempo para saber acerca do que se passava por Portugal ou no mundo; isto porque ter televisão com canais em alemão, chinês, ou turco, é o quase mesmo que não ter.

Balanço do meu baptismo de voo? Tirei a barriga de misérias! Quatro viagens, duas para cada sentido, fazendo escala em Frankfurt. Se para lá não houve nada a assinalar, na volta tivemos um motor a fazer um barulho super estranho a caminho de Frankfurt, e depois uma primeira aterragem falhada em Pedras Rubras, na qual a segundos de podermos aterrar, o avião volta a subir de forma intensa e inesperada, empurrando um estômago quase a sair da boca de volta às profundeza do abdómen... Foi acima de tudo uma experiência... diferente. Foi fixe, aparte algumas ligeiras tonturas de quem não estava habituado a voar.

Balanço da minha primeira viagem ao estrangeiro (não contando com Santiago de Compostela, há muitos anos)? Muito positiva! Ia com expectativas de que Berlim fosse uma grande cidade, em termos de tamanho, mas também em termos de riqueza arquitectónica, histórica e cultural. Não falhou em nenhum destes pontos. De facto, Berlim é “larger than life”! É de ficar boquiaberto com o fabuloso resultado do processo de recuperação das fortes feridas urbanas provocadas pela Segunda Guerra Mundial. Desde as grandes praças, ruas e avenidas, cheias de belíssimos edifícios de arquitectura neoclássica e contemporânea, lado a lado, ocupados por enormes lojas de marca, até aos mais tradicionais bairros, cuidadosamente tratados e mantidos, polvilhados de cafés e esplanadas, cada qual apinhado.

Foram seis dias – a contar com o da chegada, que fizemos questão de aproveitar também – em que, graças a um plano bem definido, pude visitar praticamente todos os hotspots e must-sees berlinenses. Desde as zonas comerciais de Kurfürstendam, Potsdamer Platz e Alexanderplatz, passando pela pólos culturais da Museuminsel e do Kulturforum, pelos icones arquitectónicos Branderburger Tor, Reichstag, Berliner Dom e Rathaus, e Olympiastadion, até ao imperdível Muro, ainda de pé na zona leste. E ainda deu tempo para passar o último dia em Potsdam, o “retiro de férias” dos antigos monarcas da Prússia, completamente a abarrotar de monumentos e palácios impressionantes! Entretanto, aproveitou-se o facto de estarem a ocorrer os Mundiais de atletism em Berlim, precisamente nesta semana (juro que não tinha reparado nisso quando se fez a reservas!), e – durante o passeio pela cidade – ainda consegui assistir ao vivo a trechos da prova masculina da maratona, onde fiz questão de gritar uns quantos “Força!” aos atletas tugas.

Claro que toda esta agenda só foi possível de ser cumprida graças à excelente rede de transportes públicos que serve a capital e a periferia: U-Bahn (metro urbano), S-Bahn (metro/tram urbano e suburbano), tram, comboios… Todos foram usados, pelos menos uma vez, para ir aonde era preciso, ficando por 4 euros ao dia. E ainda havia táxis, caso fosse necessário – o que nunca foi, tal a facilidade em ir a qualquer lado.
Também contribuiu o facto de não se ter perdido tempo a almoçar em restaurantes. Quando a fome apertava, fazia-se uma pequena paragem e comia-se umas sandes que habilmente se tinha preparado ao pequeno almoço, lol. Já ao jantar, quando as visitas haviam terminado nesse dia, apostava-se em algo mais substancial. Estando em Berlim, esperar-se-ia que houvesse bastantes restaurantes com gastronomia local. Errado. Via mais facilmente salsichas alemãs serem vendidas nas ruas, por vendedores ambulantes (carregados com o forno à cintura, literalmente!). Restaurantes à fartazana, sim, eram os italianos (tantos quantos os turistas que por lá andavam), chineses, e tailandeses. Num destes é acabei por jantar quase todas as noites; sem qualquer problema para mim, tenho a dizer, que até gostei.

Demais notas a reter desta experiência:

1. Berlim tem vida! Longe do preconceito de ser uma cidade fria – certamente que o é no Inverno rigoroso – é uma verdadeira capital europeia, no sentido de ser uma cidade cosmopolita, fervilhante de animação e pessoas, e com imensa oferta cultural e turistica. Pelo menos no Verão...

2. Uma semana é o suficiente para se conseguir ver tudo o que há de interessante. Mas isto sem se perder tempo. Para se ver com mais calma e tendo em vista uns dias de descanso e folga das “tarefas turisticas”, uns diazinhos extra é o ideal. E apesar dos transportes públicos, andar a pé é a única maneira de ver as coisas que há para ver. Nestes seis dias, devo ter calcorreado o equivalente a mais de duas maratonas… Os meus pés bem se queixaram quando deixaram de estar habituados ao massacre diário.

3. Houve uma praga de vespas na Alemanha, o que incluía Berlim, obviamente. Onde quer que se almoçasse no exterior, lá estava uma ou outra a querer incomodar a refeição. Mas o pior foi mesmo assistir ao espectáculo repugnante que era as montras de padarias e pastelarias com bolos quase tapados por vespas; muitos já valentemente furados (!!!) pelos insectos. E isto perante a completa apatia dos empregados e indiferença dos clientes alemães... Será já normal para eles? Para mim, escandalizou-me. Não devem ter ASAE por lá...

4. Para quem está habituado a conseguir pagar contas, carregar telemóveis, comprar bilhetes, etc., pelos terminais Multibanco, não vá com essa expectativa para Berlim. Lá, as máquinas (“Geldautomat”) são mesmo só para a função primária: levantar dinheiro. E se em Portugal temos uma máquina por cada 700 pessoas, lá é quase preciso perguntar a um transeunte onde podemos encontrar uma.

Ontem estive a passar as fotos para o computador. São mais de 600, por isso os próximos posts nos quais vou relatar o que vi por Berlim e arredores vão ser bastante gráficos.

Fiquem atentos!

1 comentário:

Maria Delfina disse...

Ok! Gostei desta descrição, mas aguardo as fotos para poder tb. visitar Berlim.:)
Bjis
tia